Psicoterapia Transpessoal


“Os Terapeutas atuais norteiam a atuação pelo princípio do servir ao outro, que busca alívio para o sofrimento, tendo confiança nas potencialidades do ser humano, mesmo que ocultas pelo desespero” Cardela (1982)


Partindo do princípio de que o ser humano é responsável e deve realizar o sentido potencial de sua vida, salienta-se que o verdadeiro sentido da vida deve ser descoberto no Eu no mundo e não apenas dentro da pessoa humana ou de sua psique, como se fosse um sistema fechado. Transpessoal é transcender a persona (máscara que nos permite movermo-nos em sociedade) e chegar ao que está além, ao Todo, ao Universal, e, em última instância, a nós mesmos na nossa total dimensão enquanto essência.

A terapia transpessoal trabalha com o pressuposto de que o comportamento responde a estímulos específicos. Conceitos como aprendizagem, condicionamento com reforço positivo ou aversivo, dessensibilização progressiva, mudança de comportamento a partir do treinamento de comportamentos mais adaptados, compõem parte do trabalho. 

Não se limita a procurar causas dos sintomas no passado do paciente, como faz a psicanálise. Aliada à terapia cognitiva e reprogramação neuro-linguística (PNL), bem como a terapias de terceira geração – compaixão, aceitação, compromisso e mindfulness – e exercícios de Gestalt e bio-energética é a abordagem mais indicada  por ser mais direta e de simples realização. Há uma profunda conexão com as filosofias orientais e com as práticas ancestrais ritualísticas que respeitam os ciclos da vida presentes nos próprios ciclos da natureza. 

Assim sendo, na base do desenvolvimento de um processo terapêutico eficaz é fundamental que o paciente se identifique com os objetivos do tratamento, que esteja motivado para a mudança, que exista um sentimento de frustração e uma confiança básica na sua capacidade para reagir ás vicissitudes da vida, por meio de uma atitude positiva frente ao mundo. 

A visão transpessoal reconhece uma ligação entre os três níveis fundamentais do ser: o físico, o mental/emocional e o espiritual. Influenciada pelas filosofias orientais, de acordo com esta visão, as limitações e imperfeições que trazem sofrimento são apenas transitórias e necessárias, no caminho da plenitude. Em vez de se criarem obsessões por estas imperfeições, é mais útil desdramatizá-las e enfraquecer a ilusão de que vivemos uma existência separada.

As práticas meditativas e de regressão são comuns no trabalho transpessoal e possibilitam ao paciente avaliar a sua vida a partir de um olhar mais abrangente, compreendendo a conexão entre o que lhe sucede e o que existe no seu interior. Também as técnicas de libertação psico-corporais, técnicas respiratórias e técnicas criativas são utilizadas, para promover a transformação pessoal e o alargamento da consciência.

Quando manifestamos a nossa essência, a vida flui em todas as áreas, expandindo a criatividade, melhorando as relações inter-pessoais e potenciando uma maior capacidade de execução da nossa vontade. A abordagem transpessoal permite curar o passado, ressignificar o presente e criar um futuro pleno.


​© Cristina Fernandes